21 abril 2020

A Menina da Neve - Eowyn Ivey






Título Nacional: A Menina da Neve
Título Original: The Snow Child
Autor(a): Eowyn Ivey
Páginas: 352
Editora: Novo Conceito



    Praticamente um sonho acordado. É como eu descreveria esse livro com seres etéreos, misteriosas aparições e simbologias.
    Após uma grande perda, Jack e Mabel se mudam para o Alasca no início do século XX. É uma vida dura e silenciosa de um casal já na meia idade tentando a vida no estado cheio de neve e promessas. Em uma noite incomum, decidem fazer juntos uma pessoinha de neve na primeira nevasca da temporada. A vida deles mudaria totalmente a partir do dia seguinte.
    Escrito em terceira pessoa e inspirado em um conto do folclore Russo, o livros nos mostra um casal melancólico afundado no passado e que tenta seguir em frente sem muitos resultados. Mabel, claramente deprimida, passa a maior parte do tempo dentro da cabana de caçador do casal, morando isolados e em meio às dificuldades do estado em expansão, é preciso sempre ter comida, fogo e estar preparado para qualquer situação. Mesmo que a situação seja uma criança vivendo no meio da floresta em pleno inverno.
    A minha sensação era de estar ouvindo o livro. O silêncio abafado, o crepitar da lareira, Mabel cortando as batatas e o vento nas janelas. A ambientação é basicamente esta, sem enormes conversar por boa parte do livro, a introspecção dos dois sendo nossa tela para o que aconteceu e acontece em suas vidas antes da aparição da jovenzinha na floresta.
    Faina é seu nome. Acompanhamos parcialmente e à distância seu crescimento pelos olhos de seus admiradores que fazem de tudo para cuidar dela, pelo menos tanto quanto ela deixa que o casal seja seus responsáveis. Pequena, selvagem, uma ninfa do inverno que aparece e desaparece, sem que saibamos se ela é real ou um ser místico. Onde mora? Do que se alimenta? Como se protege? Essas perguntas martelam a mente de Mabel e Jack que a adotaram em seus corações. O interessante é observar a opção narrativa da autora toda vez que Faina está presente na cena: a ausência de travessões. um detalhe tão minúsculo que dá um elemento totalmente diferente aos capítulos, quase como se observássemos a cena sob um filtro.
    É um livro mais lento, mas que me envolveu do inicio ao fim sem dificuldades. Eowyn nos apresenta personagens bem construídos, interessantes e uma história redonda, não nos decepcionando em manter alguns mistérios e magia mesmo após seu final. Acima de tudo, é um drama bem construído sobre sentimentos humanos, superação e recomeços. É bonito e agridoce, assim como a vida.

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