05 fevereiro 2018

A Multiplicidade em One Day At a Time

One Day At a Time é uma série produzida pela Netflix e que recentemente estreou a segunda temporada no canal de streaming. A série segue o dia a dia de uma família cubano-americano composta pela ex-militar Pam, mãe de Elena –  a filha militante, e Alex –  o filho vaidoso, a avó saudosista Lydia e o agregado Schneider, vizinho que fica mais no apartamento deles e possui um amor todo especial pela família Alvarez. ODAaT, criada e é escrita por Gloria Calderon Kellett e Mike Royce, tem o formato de meia temporada (cada temporada tem 13 episódios) e é inspirada numa série de mesmo nome dos anos 70-80.
Se você ainda está em dúvidas se irá adicionar mais uma série em sua lista (cá entre nós, eu sei e você sabe que estamos sempre adicionando coisas novas) vou tentar te convencer não apenas a adicionar mas também a passar na frente do que quer que esteja lá pra você começar logo a assistir essa comédia familiar que tem humor de qualidade – algo que jáexpliquei que existe!

A série se passa nos tempos atuais e toda a família mora em um apartamento – a avó veio morar com a filha para ajudar com os netos e nunca saiu, o que foi uma mão na roda já que Pam e o, na época, marido se alistaram e anos depois se separaram. É uma família de raízes cubanas sempre exaltadas pela avó – vamos chama-la de abuelita – com seu sotaque carregado, músicas latinas e drama digno de novelão do SBT. Ela inteira é um personagem capaz de sustentar qualquer série, além do roteiro ser ótimo, a atriz encarna muito bem a vovó que não é bem ingênua e inocente. Abuelita fugiu com abuelito para a América  em 1962, um ano extremamente tenso no mundo e quando ocorreu a Crise dos Mísseis em Cuba. Ela é forte, independente, sabe o que quer e move céus e terras pela família – embora também seja capaz de cansar até os mais pacientes dos monges.

"Bem, eu sou durona!"
A primeira temporada teve como base narrativa principal os quinces de Elena – a festa de debutante. Sendo feminista, ela vê a festa com horror e apenas mais golpe do patriarcado. Várias outras questões relacionadas com o Ser Mulher são discutidas no decorrer dos treze episódios, assim como a importância da festa e tradição para a abuelita. Já na segunda temporada a narração toma dois caminhos: os transtornos mentais, uma vez que Pam é ex-militar e precisa lidar com seus fantasmas do passado (foi muito emocionante e um episódio em especial me fez chorar muito) e a questão do preconceito, voltado ao racial já que eles são descendentes de cubanos. Com as ações de Trump, a série veio bater de frente com o preconceito que escorre do presidente alaranjado e retruca com informação educada as barbaridades que ele vem dizendo desde a candidatura. Foi uma temporada mais pesada em comparação, creio eu, por causa desses temas.

Com três gerações em um apartamento só – a abuelita, a mãe e os filhos – muitos assuntos acabam se tornando, às vezes, maiores do que precisavam ser e geram conflitos pela diferença de idade entre eles. É algo que identifico, uma vez que morei com meus avós por muitos anos e sempre que volto para casa, durante as férias, vejo que as coisas continuam iguaizinhas. Concessão é a palavra-chave nisso (tanto na série quanto aqui em casa) todos os lados precisam estar dispostos a ceder um pouco para evitar que um acabe magoando o outro.

Assim como quando falei de Brooklyn Nine-Nine, One Day At a Time aborda diversos temas atuais e necessários utilizando-se do humor, e da seriedade quando necessário. Entretanto, diferentemente da proposta da primeira série, ODAaT tem umas pegadas mais sérias em alguns episódios, havendo muito pouco riso por exemplo. Os roteiristas não têm medo de nos fazer sofrer sem nem ao menos dar um sorrisinho para enxugar as lagrimas, e fazem de forma a se encaixar na série e nunca a ficar desfalcado. Sexualidade, depressão, preconceito, conflito de geração, os temas são infinitos e eles permeiam entre eles como se tivesse o mapa em mãos.

Dedico esse parágrafo exclusivamente para falar sobre a questão do amor que a série aborda e centraliza. Sabe quando você sabe de algo, mas você só percebe que sabe disso quando algo estrala algo de você? Acabei de perceber isso escrevendo essa matéria. O tema central de todos, mais importante, o hiper blaster máster da série é AMOR e todas as suas formas e todas as suas dificuldades. Amor. Amar o vizinho que pode ser meio perdido, mas que não pensa duas vezes na hora de te ajudar no que precisar e quando precisar. Amar os amigos que se apresentam das mais variadas formas. Compreender (o que para mim não deixa de ser uma forma de amor) o próximo com o qual não temos amizade. One Day At a Time é alto-astral, é uma série que te faz querer dançar às músicas latinas dos anos 60, que te faz querer sorrir e que te faz querer ter – e correr atrás –  de um mundo melhor. Um mundo cheio de abuelitas que apesar de não compreender o que a pessoa está passando, de não conceber como aquilo é real, ela apoia a suporta; porque para ela não importa se a dificuldade é real, para ela não importa se o que lhe foi dito existe. Para a abuelita o importante é que a pessoa que ela ama seja feliz, então ela vai oferecer suporte, amor e vai defender e oferecer segurança em seus braços. E isso é lindo.

Vocês precisam me entender quando eu digo isso gente, eu preciso que vocês assistam essa série e entendam o que eu quero dizer que o mundo precisa de abuelitas que amam mesmo na escuridão da não compreensão.
"Salvar o mundo demora"

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