03 janeiro 2018

FILME | Extraordinário

Eu assisti ao filme próximo de sua estreia em dezembro, coincidindo em ser o último filme que vi em 2017, e devo dizer que foi uma ótima maneira de me despedir do ano com um filme tão fofo e positivo quanto Extraordinário foi. Ainda não tive o prazer de ler o livro, e quando isso acontece eu procuro não me informar muito para que cada acontecimento seja uma surpresa, me foco apenas na sinopse oficial curtinha, dessa forma tenho uma experiência melhor quando assisto o filme. Dessa forma, minha resenha se focará exclusivamente no filme, já que não posso analisar em termos de adaptação.

O que eu sabia quando fui ao cinema: Extraordinário é a história de Auggie Pullman, um garoto que aos 10 anos de idade já fez mais de 20 cirurgias faciais para que o ajudassem ao máximo a ter uma vida melhor. Cirurgias para que não ficasse surdo, para que conseguisse comer sozinho e mastigar, para enxergar. Essa é deformação é genética, e ele teve que lidar desde seu nascimento com as dificuldades e cada obstáculo vencido era uma vitória.
“Quando estiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil.” – Dr. Wayne W. Dyer
Admito que eu esperava duas coisas desse filme: que me faria chorar e que teria um tom dramático, porém esperançoso. Mas o filme me surpreendeu. Quero dizer, sim, me fez chorar de emoção e alegria, mas não chorar por ser dramático e triste. É um filme alto astral, digamos assim. Não que ele venha tratando a doença de Auggie e a forma que todos ao redor dele são afetados de maneira vã, de maneira alguma! Mas é um filme que procura focar no que Auggie é para além de sua deformidade. Sabe aquela coisa de “veja além da doença”? Bem isso. Sim, é difícil para o menino ir para a escola e ser encarado. Porém ele é jovem e tem uma imaginação fértil, é esperto e inteligente, espirituoso. O rosto dele é apenas uma característica – assim como eu tenho cabelo cacheado – e um tantinho diferente. É um filme gostoso de se ver por isso, não cansa e Auggie nos conquista desde o começo.

Outra coisa interessante que gostei – e talvez seja algo que aconteça no livro também – é que é “dividido” em várias vozes e pontos de vista. O narrador a maior parte do tempo é Auggie, mas temos também sua irmã mais velha, por exemplo. Isso permite que outros personagens sejam melhor abordados e desenvolvidos. Com mais de um narrador, mesmo que sejam poucos, conseguimos até mesmo ver outros personagens de maneira mais completa, já que os vemos em outras situações e por outros olhos.

Sendo um filme que se trata sobre a diferença, ele é sim sensível na hora de lidar com isso, não esperaria outra coisa, mas também se expande ao falar sobre bullying e a amizade, sobre a família, sem ter Auggie como foco em toda situação (embora, lógico, seja o determinante já que o filme é dele). Como já disse, eu não li o livro, que é infanto-juvenil, mas acho que é uma história muito legal de ser abordada em salas de aula com alunos principalmente dessa faixa etária, entre o Ensino Fundamental I e II. Não apenas estimular para que leiam o livro, mas para que assistam o filme e se discutam em sala de aula. Infelizmente o ser humano ainda tem a tendência a estranhar e a repelir o que lhe é estranho e diferente, e o filme, de uma maneira divertida, trata bem isso, além de contar com um elenco bem jovem que é mais próximo de suas realidades.

Tem uma coisa que gostaria de pontar, entretanto, sobre o filme. Eu não sei dizer se é um ponto positivo ou potencialmente negativo de certa forma. Graças a Deus (bem, ao autor), Auggie conta com apoio não apenas na família, como também na escola e com colegas. Infelizmente, não é a realidade da maioria. Famílias passam por inúmeras dificuldades quando seus filhos precisam de cuidados especiais, nem sempre escolas estão preparadas ou procuram se preparar para recebe-los muito menos o apoiam da maneira que apoiam o Auggie no decorrer do filme. É uma realidade bastante limitada; já é difícil para a maioria do mundo, pessoas com deformidades ou algum tipo de doença é mais difícil ainda. Eu encaro esse filme mais como uma esperança do que possa vir a ser do que realmente é.

Título Original: Wonder
Título Nacional: Extraordinário
Direção: Stephen Chbosky
Ano: 2017
Duração: 1h51min
Elenco: Jacob Tremblay, Julia Roberts, Owen Wilson, Izabela Vidovic, Noah Jupe.
Sinopse: Auggie Pullman (Jacob Tremblay) é um garoto que nasceu com uma deformação facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, ele pela primeira vez frequentará uma escola regular, como qualquer outra criança. Lá, precisa lidar com a sensação constante de ser sempre observado e avaliado por todos à sua volta.
Avaliação: 

Trailer:

Um comentário:

  1. Fui movida para a floresta pela história de Auggie. Jacob Tremblay demonstra o grande talento que ele tem. O papel que realizo em a Refém Do Medo é uma das suas melhores atuações, a forma em que vão metendo os personagens e contando suas historias é única. Na minha opinião, este foi um dos mehores filmes de terror que foi lançado. O ritmo é bom e consegue nos prender desde o princípio O filme superou as minhas expectativas, o ritmo da historia nos captura a todo o momento. Jacob Tremblay esta impecável. Ele sempre surpreende com os seus papeis, pois se mete de cabeça nas suas atuações e contagia profundamente a todos com as suas emoções.

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