04 julho 2017

O Mínimo Para Viver e o Porquê Precisamos Falar Sobre Distúrbios Alimentares


No dia 14 desse mês estreia na Netflix o filme O Mínimo Para Viver (To The Bone, no título original), estrelando Keanu Reeves e Lily Collins, cujo roteiro e direção são de Marti Noxon. O filme irá abordar a trajetória de Ellen (Lily), que sofre de anorexia e é tratada por seu médico, Dr.Beckham (Keanu).

Só pelos trailers, podemos ver em Ellen a infeliz realidade de muitas outras meninas: a obsessão pela magreza. Enganam-se, dizendo ter tudo no controle enquanto pulam refeições, enganam seus familiares e se exercitam à exaustão. Só pelo trailer, meu coração se apertou. Ellen emagrece dia após dia até que seu corpo não suporta mais e, finalmente, é obrigada a encarar o tratamento com Dr. Beckham, que possui uma abordagem não muito convencional.

Foi com a expectativa do filme que percebi que não falamos muito sobre distúrbios alimentares. Anorexia, bulimia, esse desejo desesperado em perder mais peso, mais gordura, a pesar cada vez menos. Ao contrário. Parece que a gordofobia está mais evidente. Lily Collins, que precisou emagrecer para o papel, disse que foi elogiada por uma colega de sua mãe por estar tão magra. Olha o absurdo!

Não pode ser gordo! Bonito é ser magro, quanto mais melhor. Não importa se você pule alimentações, se passa fome. Força o vômito? É o preço para perder peso.

Meu deus, há tantas coisas erradas nesses discursos! Modelos cada vez mais pele e ossos. Eu não consigo crer que tem gente que realmente não vê esse mal que afeta principalmente as jovens mulheres. Por isso precisamos falar sobre isso, discutir, mostrar a realidade nua e crua. Distúrbios alimentares não são bonitos. São doenças que precisam ser combatidas. São pessoas que precisam ser acolhidas. Por isso espero que o filme faça sucesso, crie algum tipo de conscientização, que as pessoas falem mais sobre isso e percebam se há alguém sua volta que precise de ajuda.

Pegando essa vibe, separei duas indicações de livros que abordam questões de distúrbios alimentares, auto-imagem, etc. São duas leituras bem diferentes, uma é bem pesada e difícil de ler, assim como o filme provavelmente será; já a outra é um romance brasileiro, que apesar de ser bem mais leve não deixa de ter seu peso e história importante para contribuir à causa.

Garotas de Vidro - Escrito por Laurie Halse Anderson, o livro conta a história de Lia, uma jovem que sofre de anorexia severa. Assim como Ellen, Lia está em negação e busca a magreza com uma obsessão assustadora. Vemos sua luta diária com o tópico "comida" e a deterioração de sua sanidade conforme a doença avança, principalmente após sua amiga morrer em um quarto de motel sozinha. É uma leitura difícil, não vou negar. Acompanhar Lia me fez chorar, me deixou ansiosa e mal. Não foi um livro que consegui ler com a mesma rapidez dos outros. Mas é um livro ótimo, muito bem escrito e narrado e muito verdadeiro. É uma leitura que eu altamente recomendo.


Amor Plus Size - Romance escrito pela Larissa Siriani, conta a história de Maitê, uma linda jovem de ensino médio de mais de cem quilos que passará por uma reviravolta em sua vida. O principal tema do livro é o auto-conhecimento e auto-imagem, empoderamento e aceitação, mas que também permeia sobre distúrbios alimentares e posicionamento da sociedade com relação a padrões. É uma delícia de se ler, inteligente e importante.

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