08 agosto 2016

Trilogia Nocte - Courtney Cole

É difícil começar a falar sobre a trilogia, mesmo em fazer alguma sinopse, mas vamos tentar. Tudo começa após a morte da mãe de Calla e Finn Price, dois irmãos gêmeos que moram numa casa funerária afastada da cidade. Eles precisam lidar com o luto, com o pai que se fechou e com a nova vida sem a mãe. Os dois estão acostumados a cuidarem um do outro, e são muito ligados, já que não possuem amigos no colégio – sempre tão fechados e morando numa casa funerária as crianças não foram muito simpáticas com eles. Tudo estava seguindo o mais normal que possa ser. Até a chegada de Dare DuBray.
“Serva me. Servabo te. Save me and I will save you. Salva-me e salvarei a ti.”
A atração e ligação entre Calla e Dare é inegável e segue um caminho previsível, mas não sem desequilibrar a relação entre Calla e Finn e as coisas tomam rumos inesperados. Especialmente porque parece haver um segredo que Dare esconde, um que o pai de Calla parece saber do que se trata.

Com um ar sombrio e ambiente instável, o enredo se equilibra em um fino fio entre a sanidade e a insanidade, amarra e desamarra nós a todo momento, dando respostas e em seguida ocasionando em mais dúvidas sem que entendamos o que está de fato acontecendo na história. Escrito em primeira pessoa sobre os pontos de vista de Calla e de Finn, a instabilidade mental de um personagem parece chegar até nós, os leitores. Não foram poucas as vezes que me inquieta com os mistérios que se acumulavam ao redor de Calla e cheia de tensão conforme coisas estranhas aconteciam no decorrer da história. Cole soube manter o suspense e nos segurar por três livros sem dizer o que acontecia e dando apenas pequenas pistas quanto à resolução.
“Não há nada tão assustador como a descida da mente humana para a insanidade.” 
Eu preciso fazer um adendo quanto ao final e como as coisas terminaram, sem spoilers não se preocupe. Apesar de ter curtido muito o livro, de ter lido rápido e pirado em mil e uma teorias diferentes, eu senti uma mudança até brusca no caminho do final do terceiro livro. Eu senti que a maior parte da história seguia por um caminho x, mas que algum momento a autora resolveu cortar para o caminho y. O jeito que ela finalizou foi totalmente inesperado e eu teria aceitado melhor se ela tivesse preparado o terreno para aquilo, porque da forma que ficou a minha sensação foi realmente uma mudança de ideia aos quarenta e cinco do segundo tempo.

Particularidades a parte, eu amei os livros. São intensos, cheios de reviravoltas e de espaço para que o leitor crie teorias e mais teorias sobre o que está acontecendo e o que vai acontecer. Não sabemos, assim como a Calla, o que é real e o que não é, como que tudo vai acabar. Você fica frustrado com a falta de informações e parece perder a insanidade junto com os personagens conforme o enredo se desenvolve.
De noite sou livre
Ninguém escuta meus monstros além de mim
Minha liberdade é frágil
Pois a cada manhã,
de novo e de novo,
A noite é interrompida pelo sol.
É uma boa maneira para morrer.
Infelizmente, não foi lançado no Brasil ainda e eu tive que ler em e-book, mas adoraria que alguma editora brasileira trouxesse a trilogia para cá e assim eu os teria em mãos. Por último mas não menos importante, obrigada, Mina e Miwa, por terem indicado o livro que quase me fez perder a cabeça e me deixou insone atrás de respostas para as minhas dúvidas. E àquelas pessoas que eu indiquei: DE NADA. Eu sei que é um livro que dá vontade de xingar deus e o mundo, mas pela minha experiência, vale muito a pena.

 Títulos Originais: Nocte | Verum | Lux
Títulos Brasileiros: (livros não lançados no Brasil)
Autor(a): Courtney Cole
Editora: Lakehouse Press
Página: 322 | 288 | 373
Ano: 2014 | 2015 | 2015
Sinopse: (traduzida livremente pelo Marmaid) Meu nome é Calla Price. Eu tenho dezoito anos e sou a metade de um todo. Minha outra metade - meu irmão gêmeo, Finn - é louca. Eu o amo. Mais que minha vida, mais que tudo. E embora eu morra de medo de que ele me sugará para baixo com ele, ninguém pode salvá-lo, a não ser eu. Eu estou fazendo o que posso para permanecer boiando nesse mar de insanidade, mas estou afundando mais e mais a cada dia. Então eu me estendo para uma tábua de salvação. Dare DuBray. Ele é meu salvador e meu anti-Cristo. Em seus braços é onde me sinto segura, onde me assusto, onde pertenço, me perco. Ele irá me curar, me quebrar, me amar e me odiar. Ele tem o poder de me destruir. Talvez isso seja tudo bem. Porque parece que não posso salver Finn e amar Dare sem que todos se machuquem. Porque? Por causa de um segredo. Um secreto que estou tão ocupada em tentar descobrir, que nunca vi chegar. E você não verá também.
Avaliação: 


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