30 julho 2016

Pelo Direito de Ser Fã

Há uma coisa na minha cabeça já há algum tempo que preciso desabafar: eu sou fangirl. Sou fã, muitas vezes apaixonada. Eu me dedico a certos livros e filmes e séries, fico criando mil teorias, postando fotos no Tumblr, colocando suas imagens como plano de fundo, capa do facebook, fico conversando por horas com a galera sobre isso e não me canso. Eu sou fangirl, super fangirl e não vou pedir desculpas por isso.

Eu percebi uma coisa quando estou fora de um fandom, isto é, com pessoas que não fazem do fandom um estilo de vida: os fangirls/fanboys são vistos como seres estranhos. Mas estranhos como uma coisa meio negativa. Eu estava ignorando e achando “okay”. Até que parei de achar que estava tudo bem.
“ – Nossa tudo o que sai de Harry Potter eu nem pergunto, vou comprando.
 – Mas, Maria... você já tem 22 anos.”
Há um certo acordo implícito de que você não pode ser fangirl/boy caso seja mais velho que uns 16 anos. Que você deve crescer e se tornar indiferente, ser da turma que só gosta ou não de algo e para por ali. Que você deveria sentir vergonha de ser dessa idade e continuar agindo como um adolescente de 15 anos. Que você deveria gastar dinheiro com festas ao invés de gastar com artigos de certo fandom (como se uma coisa excluísse a outra mas chego ai mais tarde).

Mãe: Quando você vai parar de obcecar com Harry Potter?
Eu: Nunca!
Agora, eu me pergunto, porque eu devo fazer isso? Não estou fazendo mal a ninguém, estou me divertindo, ser fangirl não deveria me diminuir. Porque isso é sinônimo de imaturidade ou algo do tipo? A não ser que esteja me impedindo de viver, me fazendo mal de alguma forma, esteja a um nível de obsessão que possa atrapalhar a minha vida, porque eu tenho que receber olhares ou comentários irônicos só porque eu gosto de uma coisa e sou apaixonada por ela? A resposta é: não tenho.

Porque querer ter um pôster na parede, gastar com itens de colecionador, entradas para pré-estreia, cosplay entre outros não é muito diferente de querer gastar com caros utensílios de casa do seu time favorito, gastar com melhores lugares no estádio, com a camiseta e bola autografadas, sair gritando na rua quando seu time ganhar usando a camiseta e soltando fogos de artifício. Sério, pensa bem, não há grandes diferenças entre um e outro - inclusive, em ambos há turmas bem radicais que deveriam repensar suas maneiras de agir. Ninguém gosta de haters.

Ser um torcedor assíduo de algum time de futebol (ou qualquer outro esporte) é normal. O cara tem mais de trinta anos, mas ele pode. Alguns rolam olhares – mais pelo papo non-stop que por ele ser um torcedor, mas ele pode. Ser fangirl, na minha com os meus, é estranho e imaturo. Hmmm.

Alguém se relaciona? Eu sim!
Se precisar escolher, eu prefiro pagar 50 reais em um livro que 50 reais em um item de maquiagem. Prefiro ir a comic-con a ir numa festa da faculdade. É assim que eu sou e eu não deveria ter vergonha disso. Não significa que eu nunca vá comprar um rímel mais caro aqui e ali ou que eu sempre vá recusar convites de festas, porque eu não vou, também me divirto em baladas e festas, apesar destas não serem a minha primeira escolha para uma sexta à noite.

Ser dedicado a um fandom pode ser algo mais comum na adolescência, tudo bem. Mas eu, em meus vinte e dois anos de idade, ou você em seus trinta, até ele em seus quarenta, também podemos ser fangirls ou fanboys. Não há idade correta para querer ter todos os livros nem todos os dvds; não importa se você é mãe ou tia, você pode querer ir a um evento geek e conhecer aquele seu ator favorita da sua série favorita do mundo ou querer comprar – e usar – camisetas que somente algumas pessoas irão entender do que se trata. Estar em um fandom é particular, gostoso e até mesmo mágico. Poder criar teorias ou surtar quando algo novo é divulgado, se inspirar nos personagens seja na personalidade ou na forma de se vestir.  E não há vergonha alguma nisso.

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