11 abril 2016

#BEDA2016 | Ser Mulher


Até quando a mulher será minimizada na sociedade? Estamos em 2016, século 21, e minha pergunta é séria. Até quando? Porque eu já não aguento mais ter que aguentar ser mulher. Toda semana eu me deparo com uma notícia nova que envolva algum tipo de abuso contra a mulher. Toda semana eu me deparo com comentários maldosos às mulheres, por seres mulheres. E todos os dias eu sou obrigada a ler que nossas reclamações são infundadas, exageradas, a ler sobre processos perdidos e o desespero daquelas que foram caladas.

Em apenas 22 anos de idade eu aprendi que quando uma mulher reclama de assédio, ela a) estava pedindo b) está sendo exagerada c) era um elogio ou d) todas as anteriores. Que quando uma mulher é estuprada, é uma alegação, pode não ser verdade. Cadê as provas? Ora, não seja exagerada! Ele é seu marido, seu namorado, estava exercendo seu direito, nem foi nada demais. E que o criminoso (cri-mi-no-so) sairá impune ou praticamente impune, e sua vida continuará como se nada tivesse acontecido, enquanto a mulher... Ah, a mulher será vista como pária. Sofrerá olhares na rua, poderá ser demitida, mudará de casa.

Como ousa uma mulher usar short na rua? Decote? Só pode ser puta. Puta, vadia. Não merece respeito. Se ela é puta, então pode. Mate-a. Estupre-a. Ela está pedindo! Exagerada, histérica. Cale a boca. Silêncio. Ninguém quer te ouvir chorar. Mulher de respeito fica em casa, cuida dos filhos, do marido, não pensa e não fala.

Objeto.

Não. Não é isso que eu quero. Não quero isso para mim, para as minhas amigas. Não quero isso para minhas filhas e minhas primas. Não quero isso a ninguém.
Eu sou mais forte que o medo
Mulher é gente. Mulher é ser humano. Respira, pisca, seu coração bate da mesma forma que o homem. Não quero ter que pedir por direitos. Os direitos me pertencem. Eles já são meus. Mas vocês fingem que não. Fingem que não escutam, que é assim mesmo, usam desculpas atrás de desculpas para poderem justificar nos atropelar, nos violentar, nos brutalizar e nos diminuir a um grupo oprimido com medo de sair de casa, medo de se vestir confortavelmente, medo de atravessar uma rua sozinha. Um grupo que reza para que o diabo apareça ao invés de um homem. Um grupo que atravessa a rua para não ter que arriscar. Um grupo que teme a vida e o mundo simplesmente por ser MULHER. E nem me deixe começar nas outras limitações impostas para tentarem nos “pôr no lugar”.

Eu não quero ter medo.

Eu cansei de ter medo.

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