21 março 2015

No Terceiro Dia, A Geada [Amanhã #3] - John Marsden

Título Original: The Third Day, The Frost
Título Brasileiro: No Terceiro Dia, A Geada
Autor(a): Jhon Marsden
Editora: Fundamento
Ano: 2009
Páginas: 240
Sinopse: Mesmo sendo um pequeno grupo de adolescentes sozinhos e despreparados, Ellie e seus amigos continuam a resistir à perseguição cruel que tomou conta do país deles. Ao escolher um alvo tão grandioso quanto difícil de ser atingido, esses heróis modernos têm um desafio superarriscado que pode mudar o curso da guerra. E torná-los inimigos número 1 dos invasores.
SKOOB

ATENÇÃO pode conter spoilers dos livros anteriores.
Confira as resenhas de Amanhã #1 e Amanhã #2

Muito tempo se passou desde a invasão e a situação em Wirawee só parece piorar. Ellie e seus amigos continuam foragidos e escondidos no Inferno, enquanto os invasores ficam cada vez mais à vontade e a guerra parece infinita. Ávidos por fazer alguma coisa decidem voltar a contra-atacar de alguma forma e dessa vez almejaram alto. O terceiro livro da serie Amanhã vem recheado de adrenalina, muita tensão e uma grande reviravolta no final.

Ellie e seus amigos não querem mais ficar parados, escondidos no Inferno. Depois da decepção dos Heróis do Harvey e de tudo o que sofreram até então, a apatia começa a assolar e a necessidade de se sentirem de alguma forma fazendo algo contra a invasão urge (o que pra mim soa como um vício por adrenalina, mas enfim).
""Ao contrário do que sempre fazia, fiquei em silêncio. Estava muito impressionada com o fato de que podia perder quatro dias da minha vida sem nem perceber."
A estrutura do enredo é parecido com os volumes anteriores: eles decidem o que vão fazer, se preparam, passam por sufoco e então conseguem de alguma forma atingir seu objetivo, depois mais um pouco de sufoco. E assim como os livros anteriores, a merda não para de bater no ventilador, nada nunca está tão ruim que não possa piorar, é o que aprendi com a série Amanhã. Logo após mais explosões, subitamente as coisas começam a dar errado uma atrás da outra.

Honestamente, essa reviravolta dupla no final do livro foi bem vinda. Apesar de o grupo ter sofrido com a perda de alguns amigos, finalmente algo terrível acontece com todos eles, consequência de tudo o que andaram fazendo nos últimos meses. Não irei revelar o que lhes acontece, mas digamos que eles estavam fazendo as coisas e se livrando fácil demais. Começando a ficar impossível "mas nossa, bando de jovens de 18 anos fazendo tudo isso contra um exército treinado?". Bem, no final as coisas mudam completamente de figura.
"O dia em que as coisas mudaram foi o dia que me mudou para sempre. Claro que nós somos modificados por tudo que acontece com a gente. Claro que eu tinha mudado profundamente com a invasão e tudo que aconteceu depois. Mas, aquela manhã, a manhã em que eu finalmente tive de encarar o que eu vinha evitando há tanto tempo, me modificou mais do que qualquer coisa que tivesse acontecido antes - ou que ainda está para acontecer."
Não sei qual a capacidade de Marsden em fazer render menos de trezentas páginas. A narrativa não apenas continua cativante, mas intensifica e fica mais madura e séria. Muita coisa acontece em 240 páginas, é uma história dinâmica e que te prende do começo ao fim, e não fica corrido ou superficial. Todas as páginas valem a pena e a história em si vale a pena. Eu fico realmente impressionada com isso, eu li The 100: Os Escolhidos e é a mesma média de páginas dos livros da série Amanhã e foi muito superficial e mal aproveitado em comparação.

Como já disse, esse livro é ainda mais sério e maduro que os outros, com uma dupla reviravolta no final que eu não vi chegar. John não tem medo de brincar com nossos sentimentos, especialmente quando ele já mostrou nos dois primeiros livros que não tem dó de machucar nem de matar nossos personagens. Eu achei que estava vacinada contra o sofrimento, mas as páginas finais foram as mais tristes dos quatro livros que li até agora, é o livro onde as coisas mudam, um divisor na história de Ellie e seus amigos, especialmente de Ellie.

"Gritei de novo e finalmente consegui dizer o nome dela. Foi o último presente que pude lhe dar: mostrar para ela que eu sabia. Ela olhou de lado para mim e me deu um sorrisinho assustado, como se não soubesse o que havia feitou ou se devia ter feito."
Avaliação:

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