14 março 2021

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo - Taylor Jenkins Reid

10:30

Eu não estava preparada para Evelyn Hugo.


Sempre que um livro alcança um hype eu fico receosa em entrar na leitura. Fico me perguntando se ele é realmente tão ótimo assim, se estou observando o Efeito Mandela acontecer ou ainda se eu serei aquela a ir contra a maré - isso é muito a minha cara. Não é que eu não acredite no potencial literário da obra, mas sabe como é, quando a esmola é demais o santo desconfia.



Título:
 Os Sete Maridos de Evelyn Hugo

Autor(a): Taylor Jenkins Reid

Páginas: 400

Publicação: Editora Paralela

Ano de lançamento: 2017

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Com muito cuidado, e até atrasada no rolê, iniciei a leitura. De cara e muito facilmente, a escrita de Reid me envolveu. De maneira fluida, começamos a leitura no presente quando Monique, uma jovem jornalista com grandes aspirações, é convidada a dedo por Evelyn Hugo para escrever uma matéria sobre ela. Mas Evelyn não é uma famosa qualquer. É simplesmente uma das maiores atrizes da época de ouro do cinema cuja vida particular é um imenso mistério e contada apenas por tabloides da época. O que ela iria revelar e porque ela queria justamente Monique?


Acompanhamos a história da atriz desde muito antes do estrelado. Quando era apenas uma jovem com um imenso desejo à margem da sociedade. Não apenas mulher, como também latina, Evelyn sabia que precisaria trabalhar o triplo mais que qualquer um para chegar a qualquer lugar. Quais sacrifícios ela estaria disposta a fazer e qual seria seu limite?


Com uma trajetória solitária, podendo confiar apenas em si mesma, Evelyn chega ao topo, mas não sem sofrer. Em Os Sete Marido de Evelyn Hugo a autora conseguiu abordar com muita naturalidade e realismo, em uma trama redonda e fechadinha, assuntos como machismo, xenofobia, violência e sexualidade. Inúmeros paralelos que ainda continuam presente em pleno século 21.


Fazia muito tempo que um livro não me arrebatava desse jeito. Eu me forcei a ler com calma, para absorver cada página da mesma maneira que um sommelier degusta o mais fino vinho. Reid parece escrever diretamente dos bastidores de Hollywood, com tanta proeza que me pergunto se Evelyn realmente existiu e se a autora a acompanhou como um silencioso fantasma.


É até um pouco difícil discorrer sobre o livro, uma vez que a vida de Evelyn é um mistério para todos, qualquer coisa que eu disse pode vir a ser um spoiler. De qualquer forma, o livro é facilmente um dos melhores  que já li e com certeza é a melhor leitura de 2021.


Em 2019 foi anunciado a compra dos direitos do livro para uma adaptação pela Freeform com Ilene Chaiken (The L Word, Empire) e Jennifer Beals (The L Word) na produção e a própria Taylor Reid no roteiro.

02 março 2021

"Céu Sem Estrelas", de Iris Figueiredo, vai virar filme!

13:04

A produção nacional está a todo vapor!


Céu Sem Estrelas, romance da autora carioca Iris Figueiredo, conhecida por Confissões Online, ganhará uma adaptação para cinema! A distribuidora e produtora Elo Company é a responsável em traduzir o livro para as telas, o projeto ainda está em desenvolvimento e não conta com nomes para direção e elenco.


Sinopse: Cecília acabou de completar dezoito anos, mas sua vida está longe de entrar nos trilhos. Depois de perder seu primeiro emprego e de ter uma briga terrível com a mãe, a garota decide ir passar uns tempos na casa da melhor amiga, Iasmin. Lá, se aproxima de Bernardo, o irmão mais velho de Iasmin, e logo os dois começam um relacionamento. Apesar de estar encantado por Cecília, Bernardo esconde seus próprios traumas e ressentimentos, e terá de descobrir se finalmente está pronto para se comprometer. Cecília, por sua vez, precisará lidar com uma série de inseguranças em relação ao corpo — e com a instabilidade de sua própria mente.

 



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Íris Figueiredo
O sinal verde para o projeto me deixa animada. Nos últimos anos observo uma crescente positiva incentivada principalmente pela Netflix em produções nacionais de sucesso. Tudo Bem no Natal que Vem, com Leandro Hassum, configurou em um dos filmes originais do stream mais assistidos mundialmente e nomes como Larissa Manoela e Maísa Silva tem se espalhado pelos países. De Volta Aos Quinze, livro de Bruna Vieira, também está sendo adaptado pelo streaming esse ano.

Outra produção de sucesso é a série da Netflix Cidade Invisível, com Marco Pigossi e Alessandra Negrini. Renovada para a segunda temporada, a série se utiliza do universo fantástico para narrar a convivência entre seres mitológicos brasileiros - como cuca, curupira, saci pererê etc - e a sociedade atual. Sua originalidade conquistou os gringos os apresentando ao rico folclore brasileiro.


Com esse mercado para filmes adolescentes em alta, fico na espera de mais livros nacionais alcançando as telonas e os corações dos brasileiros. 


Fonte da notícia: Folha de S. Paulo

24 janeiro 2021

Audiobook é leitura?

03:07
    Recentemente eu levantei um questionamento lá no instagram: audiobook é leitura de verdade? Perguntei quem tem costume de ouvir audiobook, se consideram como um formato válido de leitura e porque leem ou deixam de ler esse tipo de mídia.

    Para refletirmos sobre isso, trouxe um conteúdo muito bacana que vi no instagram @reann.reads, com alguns pontos interessantes para refletirmos mais a fundo sobre os audiobooks no geral.

    EU, particularmente, não consigo me concentrar com eles, mas considerando que nosso primeiro contato com a leitura é através da história oral (lembram de professores e dos pais lendo para você?) e que para muitos é o único formato de acesso às histórias, acredito que quanto maia espaço essa mídia ganhar, melhor!
Você sabia que nossos cérebro não possui uma área específica para leitura?
QUEM ESTÁ OUVINDO?
    As vendas de audiobook cresceram 37% em 2018. Metade dos norte-americanos acima de 12 anos ouviram pelo menos um audiobook no ultimo ano, independente de etnia ou gênero. 55% dos ouvintes são abaixo de 45 anos.
Comparado há 10 anos atrás, é um enorme aumento!

ONDE ESTÁ A PROVA?
    Pesquisadores da UC Berkeley escanearam os cérebros de participantes enquanto eles liam ou ouviam a histórias. O resultado? As histórias estimularam as mesmas áreas cognitivas e emocionais do cérebro, independente do meio. Lembre-se, os seres humanos têm compartilhado informações oralmente por dezenas de milhares de anos, enquanto a escrita surgiu cerca de 6 mil anos atrás e a impressão por apenas 600 anos.
Ouvir, e não ler, é para o que nossos cérebros foram designados.

AUDIOBOOK E CAPACITISMO
    Impor que a “leitura correta” apenas ocorre quando se lê palavras impressas exclui: pessoas com deficiência visual, disléxicos, quem não pode segurar um livro, entre outros.
A palavra escrita é mais inacessível que você possa imaginar.

AUDIOBOOK E OPORTUNIDADE
    Em uma sociedade desenhada para otimizar cada segundo, audiobooks oferecem uma forma de ler histórias quando você não tem o luxo do tempo. Audiobooks não estão lá para “leitores preguiçosos”, mas para aqueles que querem ler MAIS.
Eles adicionam literatura em momentos que, de outra forma, não haveria.

AUDIOBOOKS E AMAZON
    Amazon já domina cerca de 50% de todas as vendas de livros físicos e mais de 80% das vendas de ebooks, e a Audible está quase batendo essas estatísticas.

Outras plataformas que você pode apoiar:
Scribd
libro.fm
AudiobooksNow
Nook Audiobooks
Downpour

FONTES ÚTEIS

techwiser.com - audible alternatives
time - are audiobooks as good for you as reading?
the new your times - is listening to a book the same thing as reading it?
lithub - audiobooksare not lesser version of reading
the baffler - successfull people listen to audiobooks
publisher weekly - consumer use of audiobooks continues to rise
discover magazine - audiobooks or reading? to our brain it doesn’t matter

18 janeiro 2021

The Broken Miracle (part one) - J.D. Netto

10:00

Como algo tão bom como um milagre pode ser tão quebrado?

Essas são as palavras do próprio autor, Jorge Netto, durante uma live e que resume bem a questão principal do livro The Broken Miracle – Parte Um (O Milagre Quebrado, em tradução livre).


Como pode, então?


Paul Cardall é um renomado pianista que nasceu com a rara condição de hipoplasia do coração: apenas um de seus ventrículos é funcional. A doença sobrecarrega o coração e a taxa de mortalidade é altíssima – a maioria não atinge a maioridade. Além dos diversos sintomas e limitações, a pessoa ainda tem que aguentar as cirurgias de risco necessárias para a “manutenção” do órgão.


O fato de Paul ter não apenas ter chegado à vida adulta, mas ter alcançado quase meio século de vida é um enorme milagre. Um muito desgastante de manter... Passou por uma cirurgia de peito aberto com menos de um dia de vida! Enfrentou uma infecção no coração duas vezes, procedimentos para manter seu coração trabalhando e, enfim, um transplante em 2009.


Nunca vi um título ressoar tanto a história. Paul é um milagre do primeiro minuto de sua vida até então. E com muita delicadeza, Netto reconstrói sua história através de diários pessoais e notas do pianista, construindo uma obra única que une ficção e realidade em uma teia primorosa que me fez derramar várias lágrimas durante a leitura e me levou a uma intensa reflexão ao seu fim.


Não conhecia Paul antes de ter tido a oportunidade de ler essa cópia adiantada do livro, mas logo nas primeiras páginas fiquei tão intrigada com o que lia que comecei a pesquisar mais sobre ele e a ouvir suas músicas. Creio ter sido uma escolha a dedo do autor que culminou num projeto de sucesso: J.D. conseguiu passar no livro, de alguma maneira, toda a suavidade e profundidade que encontrei nas músicas de Paul.


A narrativa é prazerosa e envolvente, e explora os mais profundos sentimentos do pianista no decorrer de sua vida, principalmente dos momentos mais difíceis que precisou enfrentar junto a sua família. E mesmo assim, conseguiu a proeza em não resultar numa leitura pesada – na verdade, é bem o contrário. A esperança e fé, tanto do autor quanto do sujeito, estão presentes em cada linha, transformando  


É sem dúvida nenhuma um livro inspirador para uma história incrível.


The Broken Miracle (part one) estará disponível na Amazon a partir do dia 2 de fevereiro.

Adquira já: 



28 dezembro 2020

Bridgerton: abrace a farofa e seja feliz

18:45

No dia 25 de dezembro a Netflix estreou sua mais nova série, Os Bridgerton, em parceria da ShondaLand, produtora da Shonda Rhimes que criou as séries de sucesso Grey’s Anatomy, Scandal e Private Practice, e produziu How To Get Away With Murder. A série também é uma estreia da parceria milionária entre a Rhimes e o canal de streaming, que assinaram um contrato no valor de 150 milhões de dólares!

Baseado na série de 8 livros da Julia Quinn, Os Bridgerton acompanha a família-título na alta sociedade da Londres regencial durante a temporada de bailes – época extremamente importante para as moças debutarem e encontrarem seus futuros maridos. É nesse ambiente cheio danças, vestidos e joias que aparece Lady Whistledown: uma misteriosa mulher que parece saber tudo sobre todos e que faz questão de espalhar através de seu jornal particular todas as fofocas da mais alta sociedade. Uma única palavra dela pode ser sua ruína ou fortuna.


É por conta de sua coluna que Daphne Bridgerton e o requisitado Duque de Hastings entram em acordo: forjar um interesse romântico entre eles. Dessa forma, Daphne chamará mais atenção e o Duque poderá escapar das investidas das mães desesperadas. O que parece ser uma ótima ideia no começo, uma vez que o desagrado entre eles é mútuo, começa a se complicar quando forças externas obrigam a farsa a ir cada vez mais longe.


Com 8 episódios de cerca de uma hora cada, a primeira temporada conseguiu ir longe com relação a desenvolvimento de história e personagens, seu tempo foi tão bem aproveitado e o roteiro bem estruturado, que ao final parecia que eu havia assistido mais episódios. Ficou uma temporada bem fechada, distribuída e aproveitada, bem do jeito que eu gosto.


Sendo bem sincera, eu conheço os livros já há bastante tempo e não tive vontade de ler e continuo sem vontade; mas assim que saiu o trailer eu sabia que tinha que dar uma chance à série. Algo que percebi desde o início é que ela teria uma dinâmica bem diferente do que eu esperava e fui comprada logo às primeiras palavras da Julie Andrews narrando. Se preparem para a Gossip Girl usando discutindo vestidos e usando fitas, e bem debochada.

Bridgerton é uma peça histórica com trejeitos contemporâneos, que simplesmente funcionou da maneira que eles fizeram. Os figurinos adaptados e bem estampados, as cores sempre muito vivas, as cenas muito claras. Sem contar a trilha sonora, utilizando músicas famosas de grandes artistas como Ariana Grande, Maroon 5 e Taylor Swift com arranjos instrumentais. Pegaram a liberdade criativa e com muito cuidado e bom gosto costuraram todo um ambiente original e funcional para a série de época que combinou com o enredo e deixou extremamente atraente para o público.


Como diria minha amiga Jacque: “abraçaram a farofa”, e uma vez a farofa abraçada as coisas fluem bem mais facilmente. Isso é algo positivo, diga-se de passagem! É uma manobra difícil de se fazer, contar uma história com a proposta de ignorar muito do contexto histórico e que, ao mesmo, não fique de mal gosto ou mal feito ao adicionar os elementos de modernidade.


Algo que gostaria muito de falar é a direção de cena. Não é sempre que eu reparo nisso, especialmente de maneira espontânea, mas a direção dos atores foi algo que me deixou bem surpresa.  A forma que se moviam entre eles, pequenos gestos e coisinhas banais do dia a dia estavam lá, de maneira bastante orgânica e natural. E isso acaba refletindo na química dos atores também, especialmente entre os dois principais. Era palpável uma relação que unia todos ali e que me fez acreditar na história sendo contada. As cenas entre os irmãos então, eram muito boas e divertidas.


Não sei como é a versão escrita, mas gostei que o enredo não se limitou ao trivial como bailes, casamentos, e essas coisas – seria bastante entediante e acho que não teria me atraído se fosse assim. Falou-se bastante sobre papel da mulher na sociedade e de como ele é diferente do homem, de como isso interferia nas relações e como as expectativas eram diferentes. Fazer um bom casamento, ter filhos, manter-se casta até as núpcias. Qualquer deslize, mínimo que fosse, poderia custar tudo isso e pior: afetaria os casamentos das irmãs mais novas. É uma ótica mais atual, mas que deixou bem interessante.


E a fotografia! Ah, a fotografia é linda. Desde iluminação a jogo de câmeras, colorização e posicionamento de personagens. Há umas cenas tão bonitas de detalhes, ambientação, que deixa tudo tão romântico que nem sei. Parabéns aos envolvidos!


Muito foi falado quanto ao elenco negro em personagens principais na alta sociedade. Eu eu sinceramente nem notei isso. Esqueci. Simples assim. É algo tão indiferente à trama no geral que eu em momento algum fiquei me perguntando o motivo de estarem ali (Regé-Jean Page casa comigo) além de eles simplesmente estarem e pronto.


Em segundo lugar, há uma discussão entre os historiadores se rainha Charlotte era descendente de alguma linhagem africana, o que explicaria porque vários retratos dela possuíam traços negros. É uma discussão que, até onde vi, não se chegou a alguma resposta definitiva, mas que abre possibilidades, de forma que ter uma rainha negra na série é longe de ser absurdo.

Algo que preciso lembrar é que o brasil foi um dos últimos países a abolir escravidão em 1888. Apesar da escravidão na Grã-Bretanha ser abolida em 1833, antes disso foi proibida a captura e comércio de escravos em 1807, e havia negros livres fazendo seus nomes durante o período regencial, como compositores, atores, escritores ou lutadores de boxe. Poderiam não existir duques negros, mas uma vez que a proposta da obra não é considerar contexto histórico ao pé da letra, abriram essa possibilidade, e isso funcionou dentro da história.


Algumas coisas me incomodaram, mas não tem como eu falar se dar spoilers gigantescos ou tagarelar por uma hora. Mas no geral, Bridgerton me surpreendeu bastante, não esperava realmente que eu fosse gostar tanto. Foi muito bem produzida, desde o roteiro, construção de personagens e ambientação. Shonda acertou em cheio, e ao lado da Netflix, se manterem neste passo, consigo ver várias temporadas pela frente.


Infelizmente eu maratonei muito rápido, e agora sigo aqui na espera de mais episódios. Posso ou não me convencer a reassistir daqui um tempo, com mais calma e menos ânsia para poder notar tudo o que me passou despercebido da primeira vez. Se você gosta de romances de épocas leves, sem compromisso com a realidade e que vai te entreter do primeiro ao último episódio, Bridgerton pode ser uma ótima escolha!


Ficou com vontade de ler? Aproveite e compre o livro!