06 novembro 2017

PELA AMIZADE FEMININA! Max e Eleven #StrangerThings

15:27
Final de outubro estreou na Netflix a segunda temporada de Stranger Things. Como uma boa viciada, eu maratonei a temporada. Agora, que já se passou alguns dias e meus sentimentos e minha cabeça estão no lugar, sinto que finalmente posso falar sobre o que eu mais espero na terceira temporada: uma amizade (verdadeira) entre Max e a Eleven. Para poder discutir esse assunto, vou abordar fatos da primeira e segunda temporada então CUIDADO QUE ESTÁ CHEIO DE SPOILERS!
Vou começar pelo começo: a primeira temporada. A garotinha de cabelo raspado e que não possuía nome e era chamada pela alcunha de 011. Afinal, apesar de chamar o Dr. Brenner de papa, ele não era nem um pouco uma figura paternal. Ela era apenas um experimento. O décimo primeiro, para ser mais exata. Ignorante ao amor e cuidado. Uma arma. Um objeto. Faça isso. Faça aquilo. Por mim, por favor. Manipularam-na emocionalmente, fisicamente, sem nenhum pudor. Apenas uma garotinha.

Ela foge e conhece Mike, Lucas e Dustin. E depois Joyce e Hopper, Nancy e Jonathan. Só então, no decorrer de apenas uma semana, ela percebe que a vida que ela vivia na verdade não era vida. Quem era a mãe dela? Ela teria alguém que a amasse tremendamente da maneira que Joyce ama Will? Eles eram seus amigos agora. Eles a protegiam e ela os protegia. Ela conheceu o amor, o carinho. Todos eles eram sua família - mais do que papa jamais fora.

Chega a ser injusto quando ela acaba de conhecer o ar ele lhe seja retirado bruscamente. Entramos na segunda temporada. Ela fica no mundo invertido por pouco tempo, mas fica perdida e cuidando sozinha por meses. Ela está novamente isolada, à mercê, sem saber o que fazer e pensando apenas em sobreviver até Jim Hopper aparecer para cuidar dela. Ele sim acha mais como um pai em um ano que estão juntos. Ela tem uma cama e uma casa confortáveis, eles se divertem juntos, ele a ensina o que precisa aprender. Mas ela continua isolada. Eu entendo que Hopper tenha medo por ela - Brenner morreu mas ele não era o único que a queria. Ele já perdeu sua filha, não quer perder também aquele mocinha irritada que aprendeu a amar.

O fato dela continuar isolada é um problema. Ela foge. E como assim Mike está rindo com outra pessoa que não é ela ou os amigos dos dois? Quem é aquela menina de cabelo ruivo com o Mike? Veja bem, Eleven nunca esteve no mundo. Era a primeira vez que experimentava o ciúme. Antes era só ela em meio aos meninos e agora tinha um desconhecida com eles. Eleven não gosta do desconhecido. Eleven não conhece a maior parte do mundo e subitamente tem que enfrentar exatamente aquilo que não gosta e não entende. Não a julgo - ela é apenas uma pré-adolescente! Depois de tanta coisa que ela viveu em tão pouco tempo é preciso que lhe deem espaço pra entender como o mundo e as pessoas funcionam.

O que nos leva à Max. Minha querida e incompreendida Max. Ela mudou-se para muito longe do pai dela. A mãe se casou novamente com um cara que é um babaca e o Billy é igualmente um babaca. A família é tóxica e ela se esconde e ela se protege. Ela não quer amigos, ela só quer paz, um pouco de paz, longe da encrenca que é a casa dela. Lucas e Dustin insistem em serem amigos dela e Mike é totalmente grosso com ela. É confuso, não é o que ela queria. Novamente, ela está no meio de brigas, de problemas. Eles se dizem amigos, mas a deixam de fora. Eles se dizem amigos mas Mike diz que ela nunca será parte deles.

Max e El são parecidas. Ambas tem personalidade forte, ambas são determinadas e viveram ou vivem relacionamentos tóxicos. Foram emocionalmente abusivos com elas, cada um a sua forma. São sensíveis e por trás da máscara de duronas há duas garotas que só querem amigos e uma vida feliz. Max admira El, é praticamente uma lenda no grupo. Max já ouviu falar de El mais de uma vez. Eleven por sua vez ainda não conhece Max. Continua uma desconhecida.

Em meio a tantos garotos (e a tantas confusões, vamos combinar) elas precisam um da outra. Elas precisam do apoio de um semelhante. Eu vejo tanto potencial numa possível amizade verdadeira entre as duas que espero com todo meu coração que isso não seja desperdiçado e que não seja incentivado uma absurda rivalidade feminina dentro do grupo. Stranger Things vem acertando em muitas coisas e sororidade é algo que falta. A maior parte do elenco é masculino e as personagens femininas que existem estão em núcleos diferentes. Nancy está no núcleo teen (e suas conversas com a Barb eram, tham tham, sobre homens); Joyce no núcleo adulto e é a única. Eleven e Max no infantil, mas não dialogam (e antes da Max também era só a El). Mesmo quando os núcleos se encontram não consigo me lembrar de cena entre dialogo feminino.* O teste Bechdel mandou olá.

Tendo tudo isso em mente, me entristece ver que páginas de humor endossam a rivalidade entre as duas - por mais que Max nem tenha interesse em Mike (e mesmo se tivesse). Ou ver fãs da série dizendo que uma é melhor que a outra por esse ou aquele motivo. Uma rivalidade desnecessária que não havia até então. Quero dizer, o grupinho das crianças tem quatro meninos e não há essa rivalidade toda por ai fora da série, não é mesmo?


*Acabei de me lembrar que no final da primeira temporada Joyce e El tem cenas juntas. Não sei como considerar essas cenas, pois o objetivo é a El encontrar o Will e a Joyce apesar de dizer que estará ali para ajuda-la é a mãe do menino.

14 julho 2017

NOVIDADE | Contribua no Marmaid!

10:30
Então né, o site e o canal andam parados, eu sei não precisam me lembrar, mas estou voltando aos poucos com ideias e projetos novos. E um deles é essa super novidade que agora está disponível! Você pode contribuir com um conteúdo para o Marmaid!
Esses dias eu estava pensando em como inovar por aqui e como ter um relacionamento mais público com os leitores, então me veio à cabeça: por que não contribuição? Eu já participei de contribuições antes e achei bem legal então decidi agregar.

Para participar é beeem fácil. Se você tem uma ideia de pauta, uma indicação de livro/filme/música, um texto, um conto, algo interessante que você acha que se encaixe aqui no blog, você pode mandar para mim através da aba CONTRIBUA ali em cima no menu, preencher um formulário curtinho, que eu entrarei em contato com você para que me envie o arquivo e, assim, ele será publicado aqui no Marmaid (com seu devido nome, obviamente). Voilá! Ah, você não precisa necessariamente já ter um blog/canal ou ser ter experiência, desde que seja um texto coeso e bem escrito. Mas atenção não será admitido de teor ofensivo ou preconceito de nenhuma forma.

Quer participar? Seja bem vindo! Clique aqui e envie já seu conteúdo!

04 julho 2017

O Mínimo Para Viver e o Porquê Precisamos Falar Sobre Distúrbios Alimentares

10:19

No dia 14 desse mês estreia na Netflix o filme O Mínimo Para Viver (To The Bone, no título original), estrelando Keanu Reeves e Lily Collins, cujo roteiro e direção são de Marti Noxon. O filme irá abordar a trajetória de Ellen (Lily), que sofre de anorexia e é tratada por seu médico, Dr.Beckham (Keanu).

Só pelos trailers, podemos ver em Ellen a infeliz realidade de muitas outras meninas: a obsessão pela magreza. Enganam-se, dizendo ter tudo no controle enquanto pulam refeições, enganam seus familiares e se exercitam à exaustão. Só pelo trailer, meu coração se apertou. Ellen emagrece dia após dia até que seu corpo não suporta mais e, finalmente, é obrigada a encarar o tratamento com Dr. Beckham, que possui uma abordagem não muito convencional.

Foi com a expectativa do filme que percebi que não falamos muito sobre distúrbios alimentares. Anorexia, bulimia, esse desejo desesperado em perder mais peso, mais gordura, a pesar cada vez menos. Ao contrário. Parece que a gordofobia está mais evidente. Lily Collins, que precisou emagrecer para o papel, disse que foi elogiada por uma colega de sua mãe por estar tão magra. Olha o absurdo!

Não pode ser gordo! Bonito é ser magro, quanto mais melhor. Não importa se você pule alimentações, se passa fome. Força o vômito? É o preço para perder peso.

Meu deus, há tantas coisas erradas nesses discursos! Modelos cada vez mais pele e ossos. Eu não consigo crer que tem gente que realmente não vê esse mal que afeta principalmente as jovens mulheres. Por isso precisamos falar sobre isso, discutir, mostrar a realidade nua e crua. Distúrbios alimentares não são bonitos. São doenças que precisam ser combatidas. São pessoas que precisam ser acolhidas. Por isso espero que o filme faça sucesso, crie algum tipo de conscientização, que as pessoas falem mais sobre isso e percebam se há alguém sua volta que precise de ajuda.

Pegando essa vibe, separei duas indicações de livros que abordam questões de distúrbios alimentares, auto-imagem, etc. São duas leituras bem diferentes, uma é bem pesada e difícil de ler, assim como o filme provavelmente será; já a outra é um romance brasileiro, que apesar de ser bem mais leve não deixa de ter seu peso e história importante para contribuir à causa.

Garotas de Vidro - Escrito por Laurie Halse Anderson, o livro conta a história de Lia, uma jovem que sofre de anorexia severa. Assim como Ellen, Lia está em negação e busca a magreza com uma obsessão assustadora. Vemos sua luta diária com o tópico "comida" e a deterioração de sua sanidade conforme a doença avança, principalmente após sua amiga morrer em um quarto de motel sozinha. É uma leitura difícil, não vou negar. Acompanhar Lia me fez chorar, me deixou ansiosa e mal. Não foi um livro que consegui ler com a mesma rapidez dos outros. Mas é um livro ótimo, muito bem escrito e narrado e muito verdadeiro. É uma leitura que eu altamente recomendo.


Amor Plus Size - Romance escrito pela Larissa Siriani, conta a história de Maitê, uma linda jovem de ensino médio de mais de cem quilos que passará por uma reviravolta em sua vida. O principal tema do livro é o auto-conhecimento e auto-imagem, empoderamento e aceitação, mas que também permeia sobre distúrbios alimentares e posicionamento da sociedade com relação a padrões. É uma delícia de se ler, inteligente e importante.

28 maio 2017

#7LooksChallenge: 7 Dias 7 Peças

10:00
O desafio #7lookschallenge foi criado pela Yasmim Fassbinder há mais ou menos dois meses atrás no instagram. Eu estava acompanhando seu desafio diário e semanal até que ela me convenceu a fazer meu próprio #7lookschallenge, porque... bem, porque não, não é mesmo?

Mas como funciona o #7lookschallenge? É bem simples, cada semana você se faz um desafio. Usar, por exemplo, aquela calça jeans diferentona a semana inteira; ou escolher um número de peças e usar só aquelas durante a semana. Ou ainda escolher uma cor que você quase não usa e se obrigar a ter pelo menos uma peça por dia daquela cor. Vale basicamente qualquer coisa. O objetivo dele é movimentar seu guarda-roupa, sair da sua zona de conforto fashionista, usar cores ou peças que você não costuma usar e descobrir o que ali dentro você realmente usa e o que você pode se desfazer.

Quais são os desafios? Você que sabe! A Yasmim tem alguns desafios em sua página que você pode seguir, mas esteja livre para criar seus próprios desafios! O importante é se divertir e soltar sua criatividade na hora de se vestir.

Meu primeiro desafio! No meu primeiro desafio eu escolhi o mesmo que a Yasmim, limitar minha semana a um número de peças. No caso dela, foram nove, mas serei mais hardcore e peguei sete peças do meu guarda-roupa que tenho que terei que usar durante a semana - apenas elas - começando amanhã! Acompanhem os looks na página do facebook e no instagram.

1. Jaqueta jeans
2. Blusa preta
3. Blusa de alcinha amarela
4. Manga morcego
5. Calça jeans
6. Short jeans de cintura alta
7. Vestido de borboletas

09 abril 2017

FILME | A Cabana

10:00
Eu li o livro A Cabana há muito, mas muito tempo. Tipo, logo quando lançou. Eu lembrava da história como um todo, sabia que era bonita, porém não conseguia me lembrar dos detalhes e - pra ser bem honesta - não é o tipo de livro que eu leria de novo. Eu tinha até esquecido dele quando surgiu a notícia de que viraria filme, não demorei a decidir que veria quando lançasse.

Uau. Então, faz apenas algumas horas que saí da sessão e eu ainda não sei explicar com palavras o que eu sinto. É algo estranho, aqui dentro no meu peito. Eu tenho uma relação muito boa com a minha espiritualidade, acredito em Deus, agradeço e oro por ajuda, mas esse filme me mostrou algo mais além. É de uma profundidade que nos faz pensar, refletir, chorar e, sim, agradecer.

Como eu já disse em vídeo, eu precisei tirar um tempo pra mim para cuidar da saúde e que estaria voltando aos poucos com o blog. A verdade é, eu ainda estou me cuidando. De 2015 para cá as coisas ficaram bem intensas pra mim, eu estava perdida, precisava de ajuda. Agora as coisas estão começando a voltar ao lugar, mas se não fosse por Papai, eu talvez não estivesse aqui para contar história.

Às vezes, como foi dito no filme, estamos tão perdidos em nossa dor que não percebemos a presença d'Ele em nossa vida. Mas Ele está ali, nos carregando e tentando nos impedir de desistir. Coisas ruins acontecem o tempo todo. Essa semana mísseis americanos atingiram a Síria e todo mundo tem medo de que isso possa ser uma provocação para uma nova Guerra. Onde estaria Papai nesse momento então?

Veja bem, vamos tomar o exemplo de sua casa. Seu pai lhe diz que não pode sair de casa porque está chovendo e é perigoso. Você sabe dos riscos. Papai te disse. Papai te ama. Mesmo assim você sai e se acidenta. É culpa de Papai ou sua? Com Ele é a mesma coisa. Temos a mania de levantar os punhos para os céus e culpar-Lo por todo o mal, mas esquecemos que o mal quem provoca somos nós mesmos. Que Ele ama todos os filhos e sofre por todos nós. Que éramos para praticar o bem e não machucarmos uns aos outros. Mas esquecemos disso. E esquecemos de todo o bem que Papai nos faz. Ou de como ele nos consola após os males. Não podemos mais esquecer disso.

Apesar de, a princípio, você pensar que é um filme pesado, na verdade é um filme bem leve e com tiradas cômicas - de bom tom, claro. Fala sobre fé e o poder do perdão, além da superação. Eu sai do filme me sentindo leve. Plena até. Quando cheguei em casa, olhei para o céu e as poucas estrelas visíveis entre as nuvens, e agradeci sinceramente. Percebi que fazia um tempo que não agradecia pela minha vida e por estar me ajudando nesses meses difíceis. Agradeci e me senti bem.

A Pri também comentou o filme:

Fazia tempo que um filme não me fazia sentir tanto como eu senti e pensei vendo esse filme, como as coisas podem parecer simples do nosso ponto de vista e como podemos julgar o achamos "certo" ou "errado" sendo o juiz daquilo ao nosso redor, assim como também fazia tempo que não pensava em minha relação com Papai e como ela pode sim mudar minha vida.
Esse filme veio até mim em uma semana que não estava bem emocionalmente, as coisas que Ele nos ensina são muito importantes e algumas muito comuns até, mas que nos esquecemos com o tempo e com a vida, chorei e me emocionei ouvindo as lições que Ele passou e agora me pego pensando sobre coisas que parecem ser tão óbvias e na verdade são mais complexas que imaginamos.
Não somos criados para julgar, o julgamento é o que nos separa de amar uns aos outros, parafraseando Papai nessa adaptação maravilhosa, fomos criados para amar assim como os pássaros foram criados para voar, e quando sentimos que não somos amados, é como se os pássaros tivessem suas assas cortadas e não pudessem voar mais.

 Classificação:

Ficha Técnica

Título Original: The Shack
Título Brasileiro: A Cabana
Direção: Stuart Hazeldine
Ano: 2016
Duração: 133min
Elenco: Octavia Spencer, Sam Worthington, Aviv Alush, Sumire, Alice Braga, Radha Mitchel, Ryan Robbins, Graham Greene, Megan Charpentier, Gage Munroe, Amélie Eve.
Sinopse: Um homem vive atormentado após perder a sua filha mais nova, cujo corpo nunca foi encontrado, mas sinais de que ela teria sido violentada e assassinada são encontrados em uma cabana nas montanhas. Anos depois da tragédia, ele recebe um chamado misterioso para retornar a esse local, onde ele vai receber uma lição de vida.
Trailer: