09 novembro 2021

Tale of the Nine-Tailed: a raposa moderna

09:19

Seres mitológicos vivendo nos tempos modernos e escondidos da humanidade não é exatamente novidade no mundo do entretenimento. Crepúsculo, Academia de Vampiros, Shadowhunters, Cidade Invisível, todos eles abordam a premissa de "e se os contos fossem verdade?".


Há todo um charme por trás desse enredo que tanto se repete e não se esgota. Há milênios, desde que o mundo é mundo, o ser humano vive de lendas, nosso imaginário coletivo foi construído sobre mitologias, que não apenas serviam como uma forma de explicar o mundo desconhecido, mas também é uma importância ferramenta cultural que nos formou como sociedade.


É a partir desta ideia que chego ao k-drama Tale of the Nine-Tailed (tradução livre: O Conto das Nove Caudas).

Os pais de Ji-ah desaparecerem misteriosamente após um acidente de carro do qual ela saiu ilesa. Vinte anos depois, ela nunca desistiu de encontrá-los, e mais: tem a certeza que o que aconteceu aquele dia na estrada tem envolvimento de seres sobrenaturais. Em sua determinação, ela monta um programa de televisão de grande sucesso que busca estudar e desvendar seres míticos (uma coisa meio Ghost Hunter e Minha História de Fantasma). É durante seu trabalho que ela esbarra em Lee Yeon, um homem charmoso e misterioso que ela tem certeza de possuir um poder sobrenatural e que pode lhe dar as respostas que tanto procura.


Como o título do dorama já diz, Yeon é uma raposa de nove caudas (gumiho) um ser mítico muito presente nas culturas coreana, chinesa e japonesa, de moral duvidosa e que é conhecido por apreciar fígados humanos. Comumente representando como uma mulher, desta vez temos um homem. Um espirito de mais de mil anos e protetor da natureza, que largou seu alto cargo há mais 900 anos ao se apaixonar por uma humana, passando o resto de seus dias em busca de sua reencarnação enquanto provocado por seu meio-irmão do mal Lee Rang.

Temos a base, então, do enredo, que promete não apenas recontar mitologias coreanas, como também trazê-las para o mundo moderno cheio de tecnologias e ceticismo. Onde essas criaturas se encaixam na nossa atualidade? Guarda-chuvas se transformam em espadas e óculos aparentemente normais possuem habilidades nunca vistas antes.


Apesar da promessa de romance de fantasia em primeira estância, TotNT vai bem mais além. Com mistérios a serem resolvidos e uma trama muito maior que liga todos os 16 episódios, tanto o desaparecimento dos pais de Ji-ah quanto o romance de Yeon funciona como ferramentas para impulsionar a história. O balanço por fim é certeiro: começamos com drama mais leve, mediados através da curiosidade de Ji-ah e o desinteresse de Yeon. A trama se desenvolve e obscurece, como é de se esperar, mas são os diálogos naturais e momentos um tanto cômicos que mantem um roteiro longe de ser dark e um ritmo gostoso e dinâmico de assistir.


Com sequências de ação de tirar o fôlego, a trama acerta em expandir seu mundo para além do casal principal. Em um estilo investigativo, as histórias de seus personagens se entrelaçam de forma a montar toda uma teia que percorre por anos e que envolve muito mais do que eles imaginavam. Aqui faço um paralelo com Cidade Invisível, caso você tenha assistido a série brasileira da netflix que reconta nossas crenças também em um mundo contemporâneo cheio de mistérios.


Além de uma história totalmente envolvente, os personagens não deixam a desejar. Como sempre, Lee Dong-Wook acerta em seu papel como o Nove Caudas, entregando todo um misto de sentimentos - e perigo - que somente uma raposa de mais de mil anos poderia ostentar. Cho Bo-ah também não fica atrás, com uma mocinha que é tão heroína quanto o personagem título. Sem medo de sujar as mãos ou de se colocar em perigo, entrega uma personagem párea para seu par: alguém forte e uma parceira, onde ambos resgatam um ao outro como iguais.

No núcleo vilanesco, seria de bom tom não falar muito para não dar spoiler, mas os grandes vilões são realmente uma coisa. Um deles é de tremer até mesmo as nove caudas de Yeon, e o outro com aquele perigo de não ter nada a perder. Uma combinação dessas e temos uma ameaça que deixa todos do mundo sobrenatural em alerta. Obviamente, também estamos falando em mitologia e crenças aqui, e aprendemos um pouco mais sobre a modernização de outra criatura milenar da cultura coreana.


Quanto ao Lee Rang, o meio-irmão, é um dos personagens mais ambíguos e interessantes da trama. Moralmente duvidoso, seu desenvolvimento aconteça aos poucos e quase sem que o próprio perceba. É interessante ver como ele alimenta seu lado ruim com facilidade, mas também se mostra capaz de compaixão. Seria ele uma alma a ser salva?


É uma ótima série para se ter um primeiro contato com mitologias e crenças diferentes de que estamos acostumados a consumir. Envolvente do começo ao fim, a trama evolui e nos capítulos finais nosso coração acelera tentando descobrir qual será o desfecho. Quem irá sobreviver ao fim dos tempos?

Tale of the Nine-Tailed foi renovada para mais duas temporadas, que funcionarão como prequelas, cada uma abordando uma época da história nesses 900 anos de espera de Yeon. Além de Dongwook, foram confirmados Kim Bum como o meio-irmão Lee Rang e Kim So Yeon, cujo papel ainda não foi divulgado.


Para quem já assistiu - ou não liga muito para spoilers. Eu preciso comentar dois itens importantes do final - sobre o sacrifício e a volta de alguns personagens. Então siga na área de spoiler abaixo:


ÁREA DE SPOILERS

(fonte das informações: Mind Melt on a Bun)

27 setembro 2021

Orgulho - Ibi Zoboi

09:30

Como boa fã de Jane Austen, me interesso sempre pelas adaptações e releituras de suas obras, especialmente as que conseguem trazer um viés moderno sem perder o espírito do original. Inclusive, algumas conseguem ter um notório destaque, como o clássico As Patricinhas de Beverly Hills (releitura de Emma).


Eu já havia ouvido falar de Orgulho e queria ler fazia bastante tempo quando a oportunidade se fez durante um Clube de Leitura, em parceria com a editora Harper Collins (obrigada pela edição, Morana!).


O que eu gosto em uma releitura não é o quanto ficou igual ou reconhecível logo de cara, mas sim, se o autor soube captar a essência do original e transcrever em sua obra de modo a torna-la sua. Isso é algo que Zoboi soube fazer com maestria. Ela conseguiu pegar os eventos de Orgulho e Preconceito e trazer para um contexto moderno sem que a referência se perdesse e ainda conseguiu manter a originalidade. O que, na minha experiência como leitora, é incomum e talvez até mais difícil de se fazer.


"- Só para deixar claro: por aqui, você é igual a todo mundo. A polícia e esses brancos todos vão olhar para você e achar que você mora no mesmo conjunto habitacional que eu, não importa quantas bermudinhas cáqui ou sapatos de vovô você tenha."


Zuri Betinez é uma jovem afro-latina do subúrbio, que com muito desgosto observa seu bairro perder suas características conforme sofre com a gentrificação. Com um ar sabe-tudo bem similar à nossa Lizzie, não vê com bons olhos quando a rica família Darcy se muda para o outro lado da rua e, principalmente, odeia quando Janae, sua irmã mais velha, começa a se envolver com Aisling, um dos adolescentes da casa.


Da mesma maneira que Austen utiliza-se da ironia em suas obras para fazer críticas à sociedade de sua época, Ibi Zoboi usa a voz de Zuri para levantar questões como identidade cultural e diferença de classe ao se estranhar com Darius Darcy.


Orgulho também é imerso na cultura afro-latina, o que é fenomenal. Sendo a própria Ibi haitiana, pude reconhecer suas próprias experiências e vivências no livro. Os pratos típicos, os rituais religiosos, tudo descrito com tanto detalhe que parece que estou passando uma temporada com os Benitez!  


“A gente não pode jogar o passado fora como se não significasse nada, sabe? É isso o que acontece com bairros inteiros hoje em dia. A gente construiu alguma coisa, foi uma confusão, mas não dá para jogar tudo fora."


Mesmo sendo uma releitura, assim como disse lá em cima, as referências não são explícitas. Eu sabia os pontos chaves da obra principal, e Ibi fez um trabalho tão bom que eles apenas guiavam sua história ao invés de ser aquela coisa óbvia e até mesmo preguiça sabe? Deixando cada página um mistério e aquele gostinho bom depois ao perceber que "aaah aqui seria aquela parte do livro da Austen".


Com uma narrativa fluída e leve, o livro nos envolve do começo ao fim, trazendo personagens interessantes e realistas. Zoboi tem a proeza em falar sobre assuntos importantes sem deixar o livro pesado, oferecendo uma reflexão e diálogo para com os leitores. Vale muito a pena a leitura!




Título original: 
Pride: A Pride & Prejudice Remix

Titulo nacional: Orgulho

Autor(a): Ibi Zoboi

Tradutor(a): Giu Alonso

Páginas: 272

Editora: Harper Collins

Onde comprar: Amazon; Americanas; Submarino

07 julho 2021

LEITURA COLETIVA: Academia de Vampiros

12:55


Ei, camaradas!

Dia 7 de agosto, daqui exatos um mês, nossa leitura coletiva começa!

❗ E as inscrições abrem hoje! AGORA!❗

⚠️  PORQUE É IMPORTANTE ME INSCREVER?

Este formulário tem dois objetivos:

1️⃣ uma noção de quem tem interesse de participar e assim nos organizarmos quando aos prêmios (sim!) e outras dinâmicas da LC

2️⃣ também porque queremos ouvir VOCÊS antes de darmos início à leitura para podermos entregar uma LC incrível a todos!


🔴 POSSO PARTICIPAR SEM ME INSCREVER?

Claro! Não queremos obrigar ninguém a fazer o que não quer! MAS tenha em mente que só quem se inscreveu participará dos sorteios e você pode perder também a chance de expressar suas expectativas quanto ao LC (algo muito querido por nós). A gente incentiva a inscrição justamente por isso, quanto mais ouvirmos mais qualidade entregamos!

Nos próximos dias mais informações serão divulgadas, você pode acompanhar principalmente pelo twitter oficial @marmaidlc quanto pelo instagram @marmaid.com.br

Bora ler?!

30 junho 2021

Vampire Academy - A Série: o que sabemos até agora?

12:21

#VAFamily uni-vos! A montanha russa de emoção voltou!


Vampire Academy: A Série será produzida pela NBC Universal Television através de seu canal de streaming, a PeacockTV. De início, foi encomendada uma temporada de 10 episódios, que poderá render ou não uma renovação de acordo com a resposta do público.


Julie Plec é a responsável em adaptar os livros para as telinhas, atuando como produtora executiva através da sua própria empresa de produção, a My So-Called Company, que conta com nomes como Don Murphy, Emily Cummins, Susan Montford, Deepak Nayer e Jillian DeFrehn, e também como showrunner e roteirista ao lado de Marguerite MacIntyre (The Originals, Legacies).


As gravações ocorrerão principalmente na Espanha, segundo a própria Plec em seu instagram, que está passando uma temporada por lá em busca de locações. Segundo o que foi apurado pelo twitter @VAacademyBR através do site CastingAbout, a diretora de elenco é Veronica Collins Rooney e as gravações estão previstas para iniciar em setembro desde ano, com episódios de uma hora de duração.


O site IMBD também foi atualizado com uma página para a futura série, informando que sua previsão de estreia é para 2022 nos estados unidos.

  • Qual a cena que você mal pode esperar para ver adaptada?

Plec é fã da saga há anos, comentando sobre a leitura dos livros em seu twitter pessoal e inclusive se mostrando interessada em adaptar os livros desde 2015! Quando indagada, ao assinar com a NBC, qual projeto estava louca para fazer, sua resposta imediata foi justamente Academia de Vampiros.



Ainda não temos confirmações de quantos livros os 10 episódios irão abordar, mas a ansiedade está comendo solta por aqui!


Enquanto esperamos mais novidades.... que tal uma Leitura Conjunta do primeiro livro? Corre lá no insta que acabei de lançar o projeto e logo menos teremos MAIS novidades sobre!



FONTES: Variety, Deadline 

14 março 2021

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo - Taylor Jenkins Reid

10:30

Eu não estava preparada para Evelyn Hugo.


Sempre que um livro alcança um hype eu fico receosa em entrar na leitura. Fico me perguntando se ele é realmente tão ótimo assim, se estou observando o Efeito Mandela acontecer ou ainda se eu serei aquela a ir contra a maré - isso é muito a minha cara. Não é que eu não acredite no potencial literário da obra, mas sabe como é, quando a esmola é demais o santo desconfia.



Título:
 Os Sete Maridos de Evelyn Hugo

Autor(a): Taylor Jenkins Reid

Páginas: 400

Publicação: Editora Paralela

Ano de lançamento: 2017

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Com muito cuidado, e até atrasada no rolê, iniciei a leitura. De cara e muito facilmente, a escrita de Reid me envolveu. De maneira fluida, começamos a leitura no presente quando Monique, uma jovem jornalista com grandes aspirações, é convidada a dedo por Evelyn Hugo para escrever uma matéria sobre ela. Mas Evelyn não é uma famosa qualquer. É simplesmente uma das maiores atrizes da época de ouro do cinema cuja vida particular é um imenso mistério e contada apenas por tabloides da época. O que ela iria revelar e porque ela queria justamente Monique?


Acompanhamos a história da atriz desde muito antes do estrelado. Quando era apenas uma jovem com um imenso desejo à margem da sociedade. Não apenas mulher, como também latina, Evelyn sabia que precisaria trabalhar o triplo mais que qualquer um para chegar a qualquer lugar. Quais sacrifícios ela estaria disposta a fazer e qual seria seu limite?


Com uma trajetória solitária, podendo confiar apenas em si mesma, Evelyn chega ao topo, mas não sem sofrer. Em Os Sete Marido de Evelyn Hugo a autora conseguiu abordar com muita naturalidade e realismo, em uma trama redonda e fechadinha, assuntos como machismo, xenofobia, violência e sexualidade. Inúmeros paralelos que ainda continuam presente em pleno século 21.


Fazia muito tempo que um livro não me arrebatava desse jeito. Eu me forcei a ler com calma, para absorver cada página da mesma maneira que um sommelier degusta o mais fino vinho. Reid parece escrever diretamente dos bastidores de Hollywood, com tanta proeza que me pergunto se Evelyn realmente existiu e se a autora a acompanhou como um silencioso fantasma.


É até um pouco difícil discorrer sobre o livro, uma vez que a vida de Evelyn é um mistério para todos, qualquer coisa que eu disse pode vir a ser um spoiler. De qualquer forma, o livro é facilmente um dos melhores  que já li e com certeza é a melhor leitura de 2021.


Em 2019 foi anunciado a compra dos direitos do livro para uma adaptação pela Freeform com Ilene Chaiken (The L Word, Empire) e Jennifer Beals (The L Word) na produção e a própria Taylor Reid no roteiro.